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domingo, 20 de fevereiro de 2011

Pelas estradas de Provence, parte 5: finalement, les champs de lavande

Um pouco sobre minha paixão por campos de lavanda. Minha viagem foi estrategicamente agendada para junho com o intuito de encontrar os campos de lavanda forrados de variações de tons de roxo. A temporada começa em meados de junho e se estende ao início de agosto, época da colheita. No resto do ano, tudo que se vê são campos secos ou verdes. Claramente não era essa a intenção. Ainda sobre a obsessão lavandas, entendam (minha amiga suíça não entendia...): Não haveria razão em pisar em terras provençais sem sentir o aroma das lavandas, sem percorrer os campos simetricamente cortados, sem admirar aquele cartão postal em forma de flores. 

Isso posto, a caça aos campos de lavanda continua. Após algumas horas de estrada e paradas deliciosas nos pequenos vilarejos a caminho, de longe grandes campos de lavanda começam a pipocar nos vales da região de Gordes. Do alto se avista uma imensidão roxa no meio do verde. Achamos os campos de lavanda!

Campos de lavanda avistados do alto do Vale da região de Gordes
Não tão rápido assim... Me livrei dos guias, GPS ou qualquer informação sobre como chegar nos cartões postais cobertos de lavanda. Fui na raça. E agora reconheço que, não fosse uma amiga suíça french-speaker ao meu lado, grandes chances de ter chego até ali e não achar um campo de lavanda sequer no meio daquele labirinto de estradas de terra. 

Paradas para informações em propriedades rurais particulares nos deixaram confusas (Minha amiga suíça me traduzia o que ouvia de cada um dos fazendeiros, trabalhadores das lavouras, caminhoneiros). Alguns diziam que não era época de campos floridos, outros que estávamos há algumas horas de distância (e a noite ameaçava cair dentro de poucas horas). Alguns diziam à esquerda, outros à direita. E finalmente um caminhão de flores nos guiou até o campo de lavanda mais próximo. 

Finalement, les champs de lavande! Lá estava ele... Numa pequena propriedade rural, lavandas a perder de vista. Simetricamente posicionadas, cheirosas, de um colorido roxo lindo. 
finalement, les champs de lavande!
Cor, aroma e textura nos envolvem nesse cenário bucólico, campestre, provençal. E assim nos entregamos aos prazes sensoriais que essa cena de cartão postal de Provence desperta. 




Minhas lembranças dos campos de lavanda provençal são mantidas num potinho de cristal com o que restou das lavandas já secas, colhidas do pé nesse belo dia. E aquele aroma fresco-adocicado me resgata para esse momento de felicidade absoluta.

Pelas estradas de Provence, parte 4: um achado chamado Loumarin

Pé na estrada rumo aos campos de lavanda nos arredores de Gordes e Apt. Mas como o trajeto em si já é uma viagem... um achado no meio do caminho chamado Loumarin. 

Vilarejo de construções medievais cobertos por heras  em tons de verde contranstam com o azul do céu. Ruas estreitas escondem fontes, cafés, restaurantes, galerias, lojas de decoração. É para se perder e perder a hora entre uma ruela e outra. 
fachadas gastas e construções cobertas de heras
lifestyle provençal se faz presente nos menores detalhes
galerias contemporâneas em construções do século passado
combinação perfeita de luzes e cores
lojas charmosas misturam decoração, moda e cultura




Pausa para prazeres gastronômicos da região num dos diversos cafés com mesas ao livre. Melão da estação vindo direto de Cavaillon (vilarejo próximo famoso pelo cheiro delicioso que as plantações de melões espalham pela cidade). Vinho rosé da vizinha de estado, St. Tropez. De um lado queijo chévre fresco, de outro queijo Reblochon direto dos Alpes. E no meio dessas delícias, uma geléia azeda de apricot. Inexplicável. Indescritível. Inesquecível.
prazeres gastronômicos da região

E falando em achados e prazeres gastronômicos... Uma epicerie (famosa mercearia) chamada La Maison d'Ingrid. Atendida pela própria (Ingrid), perdi algumas horas provando  e comprando cada azeite puríssimo, trufas negras da região, queijos, terrines, compotas de frutas da época... 
La Maison d'Ingrid ...
... e "a" Ingrid.
Ela apaixonada pelo Brasil, eu pela França.  Trocamos segredos gastronômicos, achados de viagem (eu entreguei segredos do Brasil, ela da França), até histórias de vida. E face a uma intimidade que jamais ousaria antever com uma francesa, um convite de uma temporada trabalhando em sua loja... Ah, como desejei largar tudo e me entregar àquele mundo provençal. Confesso que permanece nos meus planos e na minha caixinha viagens o cartão com seu contato e o sonho de uma vida provençal. Um dia volto à Loumarin sem passagem de volta. Um dia...

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Pelas estradas de Provence, parte 3: do alto da colina, Bonnieux

No meio de tanta poesia provençal dos posts anteriores, não sei o quanto fui clara no seguinte recado: Provence é pra ser explorada de carro e somente de carro


Ressalva: Excluem-se do grupo acima indivíduos com pernas pra encarar o sobe e desce das colinas provençais de bike. E a esse seleto grupo de atletas, fica a boa notícia:  bem vindos ao paraíso dos ciclistas apreciadores do melhor da vida! Das "grandes" rodovias ao labirinto de estradinhas de terra de Luberon, a região conta com sinalização da rota ciclismo no caminho. Aos ciclistas que desejam roteiros solitários porém com um mínimo de assistência, empresas especializadas em levar sua mala de uma cidade a outra enquanto você percorre o circuito pedalando. Vide ciclomundo.

paraíso dos ciclistas: sinalização da rota provençal
Agora de volta ao grupo dos meros mortais: se você, como eu, pertence ao grupo dos "sem pernas de atletas" (acreditem, não é uma volta no parque) e porta consigo uma carteira  nacional de habilitação, reforço a dica: Rent a car.

Isso posto, back to the road. Da rodovia D973 rumo a Gordes avista-se, nas encontas da colina, o vilarejo que parece pintado à mão: Bonnieux.

no alto da montanha: Bonnieux
 A cidade parece adormecida. Sem carros na rua, sem feira, sem locais voltando da feira com uma baguette na mão. A cidade segue vazia e calada.



O silêncio é interrompido pelas badaladas do sino da igreja no topo da colina. Meio dia em terras provençais.

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Pelas estradas de Provence, parte 2: Aix-en-Provence

Aix-en-Provence: Terra de Cézanne, das águas (diga-se fontes) e das patisseries de calissons (docinhos de amêndoas que conseguem ser ainda mais charmosos que os parisienses macarons). A cidade de 150 mil habitantes tem o melhor da cidade grande em forma de charme provençal. Roteiros gastronômicos se misturam aos passos de Cézanne. Uma vida cosmopolita de cafés, ateliês, livrarias em perfeita harmonia com o perfume e colorido das grand marchés, das flores colhidas no campo, no pão fresco da boulangerie e outros  tantos sinais de vida simples provençal. 

Terra natal e fonte de inspiração de Cézanne
Ateliê de Cézanne
E como não falar de gastronomia na meca dos prazeres sensoriais? A chamada Cuisine du Soleil valoriza o fresco, o maduro, as ervas e frutos da estação. E assim, uma explosão de cores, aromas e sabores se faz presente das bancas de rua aos restaurantes de luxe com estrelas Michelin. 
patisseries (docinhos calissons) ...
fromageries ...
boulangeries ...
e boucheries...
E em algum lugar entre o trés simple e trés chic, um achado gastronômico por menos de 30 EUR incluindo prato principal, vinho e sobremesa. White Restaurant, Place des Augustins, 4. A melhor salada que já experimentei na vida. Folhas verdes, Queijo chévre crocante, lardons (Famoso bacon. E eu juro que odeio bacon), molho de mel, balsâmico e azeite marinado de um dia pro outro. E para acompanhar, vinho rosé de St. Tropez (e sem fazer cara feia pra vinho rosé. Os vinhos da região de Côte D'azur, bem ali do lado, são de excelente qualidade e combinam perfeitamente com a culinária provençal). Um desbunde, meus queridos. Incluam na listinha de prazeres de uma vida. Está na minha voltar.

arte contemporânea...
... culinária local ...
... vinho regional.

Confesso meu preconceito inicial com a idéia de me basear numa cidade (e não vilarejo). Em plena Provence dos vilarejos mil, de achados num labirinto de estradas de terra, das hospedagens em casarões antigos, de cafés da manhã nos jardins de inverno, de verão, de primavera, de outono... Lá estávamos nós numa cidade com mais habitantes, mais infra e mais vida cosmopolita do que minha cidade natal no interior paulista. Mas entendam: quando se chega às 22h da noite, de carro, num território desconhecido, nada mais razoável do que achar um hotel num centro iluminado, com restaurantes e um centro de informações turísticas. 

E assim surgiu Aix. E Ali nos baseamos e de lá não mais saímos. E por Aix me apaixonei.



domingo, 30 de janeiro de 2011

Pelas estradas de Provence, parte 1

Provence: Bienvenue aos encantos bucólicos da zona rural mais trés chic, trés simple do mundo. Conheçam as paisagens, aromas e paladares que inspiraram as obras renascentistas de Cézanne, seduziram o autor inglês Peter Mayle a morar e relatar seus dias provençais em forma de livros (dentre eles, a belíssima obra "Um Bom Ano" que, não por acaso, deu origem ao filme sob o mesmo título com Russell Crowe). E bem... como simples mortal, também me rendi ao charme provençal.
Descobri, assim, meu novo paraíso: em ritmo slow, de carro alugado, mapas na mão e companhia de uma amiga suíça (Lado francês da Suíça, vale mencionar... Só mais tarde entendi o valor de uma french-speaker quando se está no meio do nada em busca de um campo de lavanda...).
Sem pressa, explorei e experimentei os vilarejos, ruelas escondidas, arquitetura em tom de ocre, estradas rurais, campos de lavanda, marchés, boulangeries, fromageries, patisseries, vinículas, vinho rosé de St. Tropez, aroma das trufas negras e melões de Cavaillon, orgias gastronômicas, conversas com locais... O tempo não passa e ainda assim me faltou tempo.
Provence é desses lugares que elevam a alma e nos resgatam o prazer através do simples, do primário, do natural. Não por acaso, rondou meu sonhos recentes de ano sabático. A idéia de meses estudando francês, culinária local ou a arte das lavandas enquanto brinco de provence lifestyle me seduziu até o último instante. Mas deixo Provence guardado, por ora. Deixo Provence para outra época da vida: mais tranquila, em boa companhia, sem pressa.
E pressa pra que mesmo? Quebrem os relógios e aproveitem os próximos posts no melhor do ritmo provençal.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Paris d'amour

Meus dias parisienses seguiram em ritmo vagaroso, na melhor cidade do mundo pra se praticar slow travel. Não cedi à tentação de filas, não subi na torre, não entrei no Louvre, não entrei em uma igreja sequer. Aos invés disso, me perdi nos encantos das ruas parisienses. Tamanha calma partiu da certeza de que voltaria ali 1, 2, 3, 10 vezes ao longo da vida. Pressa pra que?

Paris, je t'aime moi non plus! ... 

Pelas horas sem pressa nos cafés do Marais ...

... pelo colorido elegante das ruas parisienses ...


... pelo charme discreto dos brechós ... 

... pelas várias faces de uma Paris d'amour ... 
 

... pelo amor em forma de fotografias ...

... pela arte em forma de cinema no Quartier Latin ...

... pelos segredos escondidos na boêmia Montmatre...
 

... pelas tardes observando a Torre, os turistas, os franceses, regadas a vinho, música, cochilo ....

... pelo cair da tarde de tirar o fôlego no Arc de Triomphe.

Os encantos simétricos do jardin du Chateau de Versailles ...

... na companhia perfeita ...

... a feliz escolha de um piquinique no jardim ao invés de um castelo cheio de ouro ...

...e o luxo fica por conta do macarrons Ladurée, um colírio aos olhos mais do que um desbunde de sabores.

E para uma última noite inesquecível, um passeio de bicicleta pela madrugada parisiense ...

 ... parada estratégica para um último champagne ...

... e no breu da noite, a Cidade Luz se faz presente ...

... bela, majestosa, imponente ...

... Et c'est fini, Paris!