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segunda-feira, 14 de março de 2011

Carnaval, ato 2: Sargento Pimenta e a Banda do Clube dos Corações Solitários

Sargento Pimenta e a Banda do Clube dos Corações Solitários 
E aos amantes de Beatles e samba... eis o paraíso!

A multidão ...
... A farra de Carnaval em grande estilo ...
... a bateria ...
... o trio ...
... Beatles + samba ...
= Sargento Pimenta
All my loving
Lucy in the sky with diamonds
Abbey Road é logo ali
Yellow submarine
Let it be
Love and samba is all you need!
E aí vai um gostinho da melhor surpresa do Carnaval 2011...



"We hope you will enjoy the show, Sit back and let the evening go! Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band!" 

Fotos: http://ihateflash.net/

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Paul McCartney live @ SP


Aos nostálgicos que foram, aos que não foram e aos eternos amantes de Beatles, divido a seguir a experiência do 2º show do Paul McCartney na minha vida (e no meu ano).

Troco a experiência rica, única e solitária do show do Paul em Dublin de 5 meses atrás por uma experiência no melhor estilo “Happiness is only real only shared” na companhia perfeita de 4 grandes amigas, cada uma de um canto da minha vida, mas nessa noite conectadas pela paixão Beatles. No lugar dos 38 mil irlandeses educados que dividiram comigo o show de alguns meses atrás, um platéia vibrante de 64 mil brasileiros lotou o estádio do Morumbi. Havia uma comoção geral, a mensagem de amor, luta e paz mundial conectou uma legião de fãs das mais diversas gerações naquele estádio lotado: a pista tinha ares de festival de música numa mistura perfeita de tribos; um menino de 8 anos cantando as canções de algumas décadas atrás; uma senhora cega enlouquecida ao som de Ob-la-di, ob-la-da; casais apaixonados; pais, filhos e netos. Todos distintos no tempo e conectados pela música.
Impossível evitar a sensação de déjà vu do show em terras gringas. O efeito surpresa estava descartado: eu conhecia o setlist da turnê e a sensação que cada música me causava, tive tempo de explorar mais os passos Paul pós Beatles (Fã do John, o show de Dublin me despertou interesse pelo brilhantismo musical do Paul na fase The Wings), conhecia os efeitos especiais e piadinhas que vinham pela frente. Ainda assim, a cada música senti a adrenalina de alguns meses atrás, agora com novas emoções e novos sentimentos. E a emoção de ouvir uma entidade beatle no palco é o tipo de experiência que nos deixa em êxtase, nos toca, nos marca 1, 2, 3 vezes ...

O show
O processo show no Brasil dá preguiça, fato. Estacionamento a 150 reais, trânsito, calor, filas e fura-filas, cambistas, aquele caos brasileiro q a gente conhece e participa. Mas quem lembra desse stress sentado no tablado da pista, tomando uma cerveja, ao som de primeira do DJ Mauricio Valladares com um setlist pré-show perfeito enquanto aguardávamos um Sir Beatle?

Ao primeiro acorde com pontualidade britânica, Paul abre o show com “Sitting in the stand of the sports arena, waiting for the show to begin. Red lights, green lights, strawberry wine, a good friend of mine follows the stars, Venus and Mars are alright tonight”. Venus and Mars are alright tonight: Nada traduzia melhor aquele céu lindo, iluminado por uma lua cheia e por flashes de luz, celulares e câmeras num estádio lotado com 64 mil pessoas aos gritos, lágrimas e coro de pura emoção com a entrada do Paul no palco.

Impossível não se emocionar mais uma vez ao ouvir as homenagens de Paul a seus parceiros de banda e amores de uma vida: a performance tocante de Here Today gravada para John Lennon após sua morte, Something aos acordes de um bandolim homenageia George Harrison pela sua belíssima composição de uma das minhas canções prediletas, e My Love como declaração de amor eterno à sua “gatinha Linda”(McCartney).

Os mega hits de 40 anos atrás dos Beatles são cantados em coro por uma platéia eufórica e acelerada: All my loving, Ob-la-di, ob-la-da e Eleanor Rigby  são alguns dos vários clássicos. E pros que ousam falar que Beatles e Paul não têm nada de rock n’ roll, a intensidade de Helter Skelter e os clássicos Jet, Band on the Run e Let me roll it da fase The Wings, vêm pra provar o contrário (quem explica a guitarra solo de arrepiar do Let me roll it antes de começar a cantar “You gave me something I understand, you gave me loving in the palm of my hands”?).

Mas nada se compara à sequência que se inicia com a brilhante A Day in the Life, no melhor estilo musical de Paul, com a junção perfeita de músicas inacabadas (nesse caso, a parte lenta é de autoria Lennon e a parte acelerada "Woke up, felt out of bed...” foi composta por Paul)

 Em seguida, a platéia é coberta por bexigas brancas num movimento de paz ao som em coro de “All we are saying is give peace a chance”. E fui de novo tomada pelo exato mesmo sentimento que tive em Dublin: Naquele momento, toda a platéia emocionada acreditava e clamava pela paz mundial. Eu observava aquela multidão de gente e não acreditava. Acho que nem o Paul acreditava. O momento foi mágico, espiritual, transcendental no melhor estilo John Lennon. 
Em seguida, sem nenhuma brecha pra platéia recuperar o fôlego antes de novas emoções, Paul dedilha a belíssima canção e toca os corações com words of whisdom de Let it be.
As lágrimas cessam, mas a explosão de adrenalina tem seu ponto alto com o show de fogos ao som de Live and let die, enquanto a troca de imagens psicodélicas no telão alternam momentos rápidos e lentos, na exata troca de ritmo da música. 
E pra fechar a primeira parte do show, Hey Jude. Dispensa comentários. Se até essa hora tinha me contido a algumas lágrimas discretas, nessa hora chorei. 

Absolutamente imersa nas minhas emoções no show de Dublin, não tinha percebido a intensidade dessa sequência. Dessa vez entendi o efeito dessas 5 canções belíssimas e da potência musical e poética que elas ganham combinadas. Em mim e num público de 64 mil pessoas.

Após 2 sequências de bis com clássicos de qualidade da era Beatles, Paul encerra o show no melhor estilo de despedida com Sgt. Pepper's lonely hearts club band e com a mesma mensagem de amor universal que fechou minha experiencia em Dublin: “and in the end… the love you take, is equal to the love you make”.

And in the end, o Paul caiu no palco. E 64 mil brasileiros saíram do estádio do Morumbi felizes, emocionados e certos de que presenciaram um dos mais belos shows de suas vidas.

sábado, 20 de novembro de 2010

Dublin: all about pints, folk music and Paul McCartney

 Dublin é dessas cidades que parecem tiradas de outro século, outra dimensão, com cenário e personagens de desenho animado adulto: ruas de paralelepípedos cheias de becos nada charmosos, músicos e artistas nada convencionais, bêbados cantando pelas ruas abraçados no melhor estilo "fulano é um bom companheiro", senhorzinhos ruivos, barbudos e atarracados caídos bêbados pelos cantos do Temple Bar (o mais boêmio dos bairros, com o mais famoso dos pubs, também chamado Temple Bar).

Nada como uma cidade regada a Guinness pra fazer o povo feliz: os irlandeses têm uma alegria de viver nata e uma sede por álcool que nem meus anos de boteco me permitiram acompanhar (depois de 2 semanas de pints e mais pints de cerveja em UK, não podia fazer feio na capital da boêmia alcoólica). O circuito pubs foi intenso. Coisa de 5, 6, 7 pubs em um dia (7 foi o recorde diário). Na companhia de um novo casal de amigos brasileiros que moram em Dublin, desbravamos o melhor dos pubs dubliners: o pub mais antigo, o mais turístico, o mais local frequentado por velhinhos irlandeses... Tudo é desculpa pra conhecer um pub novo. Liffey river, St Patrick's Cathedral, Trinity College e outros pontos turísticos eram a deixa pra "Tem um pub aqui do lado que você precisa conhecer!". E assim fui, me embriagando ao som de um delicioso folk irlandês que toca em 10 de cada 10 pubs.


E no meio de tanto alcool e folk music, tive uma experiência que extrapola a categoria "melhores momentos de uma viagem" e entra pra listinha "melhores momentos de uma vida". Tive a sorte de pisar em solo dubliner a tempo do show do Paul McCartney (esse mesmo "Up and Coming Tour" que chega amanhã à São Paulo. Com a diferença que paguei apenas 70 EUR no dia do show, cheguei meia hora antes e fiquei bem na frente do palco. Duvido que minha experiência amanhã no Morumbi, ainda que muito especial, se equipare à simplicidade de ir a um bom show em terras gringas). 

Paul McCartney, RDS Arena, Dublin (viram que pertinho do palco?)

O show foi de uma intensidade absoluta: o sangue irlandês do Paul, a boêmia e riqueza musical do povo irlandês, o dia cinza, e o fato de estar sozinha fizeram do show a once in a lifetime experience. Do outro lado do mundo, sozinha, ouvindo versos de musicalidade pura e sabedoria de um Sir beatle. Naquele momento acreditei nos sentimentos mais puros da humanidade. Eu estava completamente apaixonada pela vida, pela minha família, meus amigos, pelo amor, pelo Brasil, pelo mundo, pela paz mundial. Tudo fazia sentido naquele momento. E eu fui feliz, completamente feliz nessas 3hs de show. 

Ao ouvir Get back to where you once belonged, impossível não resgatar lembranças de infância com o Blue Album Remastered que eu ouvia quando moramos em Cardiff (meus pais não têm metade da paixão por música que eu desejaria, mas aos 8 anos de idade eu ouvia esse CD dos Beatles e Saltimbancos. Não posso reclamar, eles me apresentaram Beatles e Chico Buarque, duas das minhas grandes paixões musicais hoje. Quer educação musical melhor que essa?). E pensar que eles viveram essa mesma experiência, também sozinhos há 15 anos atrás em Londres (um dia foi meu pai, dia seguinte minha mãe, pois não tinham com quem deixar os filhos pequenos).

E numa sequência de belíssimas canções sobre paz, amor fraterno e justiça social, senti as dores de uma época Beatles que eu não era nem nascida e acreditei no amor ao próximo e na paz mundial. Quando o estádio cantava em coro All we are saying, is give peace a chance parecia que o mundo tinha parado e que a paz deixava, naquele momento, de ser ideologia. 

Frente a tantas dúvidas que eu tinha (tenho) sobre escolhas pessoais, amorosas, profissionais, filosóficas, senti calma a medida que o Paul dedilhava e cantava Let it be ("And when the broken hearted people, living in the world agree, there will be an answer, let it be"). 

E impossível falar de Beatles sem falar do amor romântico. Era dia dos namorados, eu tava apaixonada na época e no meio de tantas palavras lindas, dividi Hey Jude por celular com uma pessoa especial que tinha ficado no Brasil.  

O show fecha com a mesma canção que fecha meu álbum predileto dos Beatles, Abbey Road, que por sua vez foi a última música (do último álbum) gravada em estúdio com os 4 Beatles reunidos. Apropriado, não? Ao som da linda e simples mensagem de amor universal, fecho minha experiência dubliner: And in the end, the love you take is equal to the love you make

PS: Uma experiência que era pra ter sido a bordo de um carro, visual campestre com um verde escancarado da região de Wicklow Mountains e Galway no interior e  costa irlandesa, teve mudanças de rumo algumas semanas antes da viagem. Mudei o roteiro, mudei a companhia, mudei os sentimentos. E foi um dos momentos mais ricos da viagem. E manda uma Guinness pra brindar os  contratempos e mudanças de percurso que enriquecem viagens e a vida.